sábado, 10 de outubro de 2009

O que, afinal, eu quero da vida

Outro dia, na mesa de uma lanchonete, uma amiga me perguntou o que, afinal, eu queria da vida. Silenciei e somente após dois ou três minutos consegui me lembrar da resposta de Holden Caulfield a uma pergunta semelhante. Não tinha o livro em mãos, mas a cena ainda estava fresca em minha memória; o que me permitiu dizer, com outras palavras, que talvez haja em mim o que parece haver na figura do apanhador: uma idéia de serviço que – por algum motivo – não se encaixa às demandas do mundo. É como se eu quisesse, resumi, cuidar dos que se aproximam sem cautela dos abismos num mundo que dispensa estes cuidados por jurar que abismos não existem.

Em suma, quero da vida o que ela dificilmente poderá me oferecer.

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