A verdade é que uma pessoa com opiniões muito minoritárias ou muito inclinada a defender as minorias não pode ter grande amor pela Humanidade.
sábado, 14 de novembro de 2009
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Tradição e Tradicionalismo
O teólogo luterano Jaroslav Pelikan, professor emérito da Universidade de Yale, fez a seguinte distinção didática, senão semântica, entre tradição, de um lado, e o que denominou tradicionalismo, de outro. Ele diz: “Tradição é a fé viva daqueles que já morreram. Tradicionalismo é a fé morta dos que ainda vivem”. Sob essa perspectiva, existem coisas que, embora antigas, valem a pena conservar por sua qualidade intrínseca; enquanto há outras que, apesar de atuais, não agregam valor algum e, por isso, devem ser repudiadas e deixadas.
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sábado, 31 de outubro de 2009
Doces ou Travessuras
Pra quem não sabe, 31 de Outubro, além de ser o dia das bruxas, é o dia da Reforma Protestante. Seja qual for o motivo de sua celebração, saudações. Eu, particularmente, estarei aqui celebrando os 492 anos da maior e melhor pegadinha de Halloween de todos os tempos.
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sexta-feira, 30 de outubro de 2009
A (hilariante) história do Halloween

Amanhã é dia 31 de Outubro, data em que se comemora em diversos países e mais recentemente no Brasil, o Halloween. Alguns dizem que não existe motivo para celebrar o Halloween no Brasil, porque afinal de contas, temos o Curupira, a Mula-sem-cabeça e o ilustríssimo Saci-Pererê. Mas quem diz isso provavelmente não compreendem as causas históricas por trás da data e porque ela é importante até hoje. Portanto, para a curiosidade e entretenimento de todos, ofereço agora a verdadeira história por trás do Halloween.
Tudo começou com a queda de Constantinopla em 1453, quando os gananciosos e bárbaros invasores turcos conquistaram a capital cristã do oriente e com ela todos os vastos campos de cana de açúcar e cacau controladas pelo império bizantino. Com a Espanha ainda sendo reconquistada pelos cristãos e as terras produtivas da Itália todas sendo escavadas numa busca desesperada por mármore para com qual construir monumentos, uma escassez de doces e chocolates assolou a cristandade por décadas. Foi deste período, aliás, que surgiu o infame adoçante de Michelangelo — um líquido viscoso à base de beterrabas e esterco de cavalo que era usado pelos pobres. Os ricos, entretanto, exigiam que seus doces fossem feitos apenas com o mais puro açúcar. O papa Alexandre VI, notoriamente, comprava tortas de chocolate por seu peso em ouro.
Essa busca desesperada pelo açúcar foi uma das causas da era da exploração, com Cristóvão Colombo descobrindo o novo mundo, e navegantes portugueses e espanhóis conquistando estas novas terras na esperança de, um dia, também não terem que comer doces feitos à base de beterrabas e esterco. A Igreja, por outro lado, descobriu sua própria forma de suprir a vasta demanda por éclairs e quindins da corte papal: explorando os fiéis. A Igreja deu ao frade dominicano Johann Tetzel a missão de vender indulgências em troca de açúcar e numa jogada de marketing brilhante instruiu Tetzel e os que o acompanhavam a se vestirem como almas que penavam no purgatório, e como demônios e monstros, para assim estimularem a compaixão dos camponeses por seus parentes que no purgatório padeciam.
Assim vestidos, Tetzel e seus capangas viajaram por toda a Europa, indo de porta em porta pedindo por grãos de cacau, sacos de açúcar, pirulitos, chicletes, jujubas e pastilhas de menta. Em troca dessas guloseimas, Tetzel oferecia uma garantia de que as almas daqueles que compravam indulgências iriam direto para o paraíso e que as almas de seus parentes já estavam no paraíso tomando Ovomaltine com nosso Senhor Jesus Cristo. E todos se alegravam com essa situação, exceto as pobres almas que não podiam pagar por sua salvação com balas ou as que se recusavam a entregar seus doces ao Papa. E foi no dia 31 de Outubro, o primeiro Halloween, que Martim Lutero, o mais corajoso desses dissidentes, protestou contra a campanha de Tetzel.
Martim Lutero era um homem complexo, rasgado entre sua vontade de ir para o céu e sua paixão por bombas de chocolate. Incapaz de entregar às mãos gulosas da Igreja suas amadas bombas de chocolate, naquele fatídico primeiro Halloween, Lutero pregou suas 95 Teses na porta da Igreja em Wittenberg. Estas teses são compostas por uma série de acusações contra a Igreja, Tetzel, a venda de indulgências, o reino dos papas diabéticos, e terminam com uma longa condenação (28 das teses no total) da “repugnante abominação, mais amarga que o próprio rabo de Lúcifer, o adoçante daquele pederasta Michelangelo.” Cansados de entregarem seus doces, o povo da Alemanha se aliou a Lutero e nas décadas seguintes uma verdadeira reação em cadeia de rebeliões e revoluções quebrou o controle da Igreja Católica pelo continente e deu início às igrejas protestantes.
Como celebração daquela data, tornou-se costume nos países protestantes zombar da figura de Tetzel. Assim, todo dia 31 de Outubro os jovens saíam na rua vestidos como demônios, monstros e almas penadas, indo de porta em porta pedindo por chocolates e doces, e os camponeses protestantes riam e jogavam lixo e imundície neles. Esse costume continuou por quatro séculos até que no começo do século 20 comerciantes americanos de doces perceberam que poderiam lucrar com isso e popularizaram o costume de, ao invés de lixo e sujeira, oferecer doces e baunilhas às crianças fantasiadas. Este logo se tornou o costume principal, mas de vez em quando crianças que gritam “Travessuras ou gostosuras!” na casa de velhos ainda recebem o conteúdo de um penico despejado sobre suas cabeças. As imagens de assombrações foram desassociadas do purgatório, mas ainda hoje existem católicos que oferecem cocadas e barras de Chokito aos santos, esperando com isso garantir uma vaga no paraíso.
E agora vocês conhecem a verdadeira história do Halloween e podem dormir em paz.
Tudo começou com a queda de Constantinopla em 1453, quando os gananciosos e bárbaros invasores turcos conquistaram a capital cristã do oriente e com ela todos os vastos campos de cana de açúcar e cacau controladas pelo império bizantino. Com a Espanha ainda sendo reconquistada pelos cristãos e as terras produtivas da Itália todas sendo escavadas numa busca desesperada por mármore para com qual construir monumentos, uma escassez de doces e chocolates assolou a cristandade por décadas. Foi deste período, aliás, que surgiu o infame adoçante de Michelangelo — um líquido viscoso à base de beterrabas e esterco de cavalo que era usado pelos pobres. Os ricos, entretanto, exigiam que seus doces fossem feitos apenas com o mais puro açúcar. O papa Alexandre VI, notoriamente, comprava tortas de chocolate por seu peso em ouro.
Essa busca desesperada pelo açúcar foi uma das causas da era da exploração, com Cristóvão Colombo descobrindo o novo mundo, e navegantes portugueses e espanhóis conquistando estas novas terras na esperança de, um dia, também não terem que comer doces feitos à base de beterrabas e esterco. A Igreja, por outro lado, descobriu sua própria forma de suprir a vasta demanda por éclairs e quindins da corte papal: explorando os fiéis. A Igreja deu ao frade dominicano Johann Tetzel a missão de vender indulgências em troca de açúcar e numa jogada de marketing brilhante instruiu Tetzel e os que o acompanhavam a se vestirem como almas que penavam no purgatório, e como demônios e monstros, para assim estimularem a compaixão dos camponeses por seus parentes que no purgatório padeciam.
Assim vestidos, Tetzel e seus capangas viajaram por toda a Europa, indo de porta em porta pedindo por grãos de cacau, sacos de açúcar, pirulitos, chicletes, jujubas e pastilhas de menta. Em troca dessas guloseimas, Tetzel oferecia uma garantia de que as almas daqueles que compravam indulgências iriam direto para o paraíso e que as almas de seus parentes já estavam no paraíso tomando Ovomaltine com nosso Senhor Jesus Cristo. E todos se alegravam com essa situação, exceto as pobres almas que não podiam pagar por sua salvação com balas ou as que se recusavam a entregar seus doces ao Papa. E foi no dia 31 de Outubro, o primeiro Halloween, que Martim Lutero, o mais corajoso desses dissidentes, protestou contra a campanha de Tetzel.
Martim Lutero era um homem complexo, rasgado entre sua vontade de ir para o céu e sua paixão por bombas de chocolate. Incapaz de entregar às mãos gulosas da Igreja suas amadas bombas de chocolate, naquele fatídico primeiro Halloween, Lutero pregou suas 95 Teses na porta da Igreja em Wittenberg. Estas teses são compostas por uma série de acusações contra a Igreja, Tetzel, a venda de indulgências, o reino dos papas diabéticos, e terminam com uma longa condenação (28 das teses no total) da “repugnante abominação, mais amarga que o próprio rabo de Lúcifer, o adoçante daquele pederasta Michelangelo.” Cansados de entregarem seus doces, o povo da Alemanha se aliou a Lutero e nas décadas seguintes uma verdadeira reação em cadeia de rebeliões e revoluções quebrou o controle da Igreja Católica pelo continente e deu início às igrejas protestantes.
Como celebração daquela data, tornou-se costume nos países protestantes zombar da figura de Tetzel. Assim, todo dia 31 de Outubro os jovens saíam na rua vestidos como demônios, monstros e almas penadas, indo de porta em porta pedindo por chocolates e doces, e os camponeses protestantes riam e jogavam lixo e imundície neles. Esse costume continuou por quatro séculos até que no começo do século 20 comerciantes americanos de doces perceberam que poderiam lucrar com isso e popularizaram o costume de, ao invés de lixo e sujeira, oferecer doces e baunilhas às crianças fantasiadas. Este logo se tornou o costume principal, mas de vez em quando crianças que gritam “Travessuras ou gostosuras!” na casa de velhos ainda recebem o conteúdo de um penico despejado sobre suas cabeças. As imagens de assombrações foram desassociadas do purgatório, mas ainda hoje existem católicos que oferecem cocadas e barras de Chokito aos santos, esperando com isso garantir uma vaga no paraíso.
E agora vocês conhecem a verdadeira história do Halloween e podem dormir em paz.
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terça-feira, 27 de outubro de 2009
A ardente expectativa

“Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória que em nós há de ser revelada. A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus”
(Romanos 8:18-19)
(Romanos 8:18-19)
O ex-padre católico, Brennan Manning, conta em seu excelente livro, O Evangelho Maltrapilho, publicado no Brasil pela Editora Mundo Cristão e traduzido pelo perspicaz Paulo Brabo, que ao passar em frente a um centro de convenções, viu uma fila de pessoas que aguardava entrar em suas dependências para participar da festa que ali seria promovida. A atenção de Brennan foi arrebatada pela expectativa e pelo semblante de alegria e contentamento das pessoas que compunham aquela fila.
Conta o autor que sua mente foi invadida por pensamentos variados e que algo o intrigou. Embora aquela possivelmente fosse uma cena comum, Brennan ficou perplexo. Pois, ao constatar a expectativa daquelas pessoas, lembrou-se que os cristãos também estão numa fila esperando os portões celestiais se abrirem para participar da festa das “bodas do Cordeiro”; contudo, para nossa surpresa, muitos desses cristãos não estão felizes. Na verdade muitos estão na fila, porém duvidosos se realmente há um banquete à nossa espera. Muitos acham que o anfitrião não ficará contente em vê-los. E muitos se perguntam se serão bem-vindos. A idéia de um Deus ansioso por nos receber e uma festa maravilhosa para nos recepcionar parece boa demais para ser verdade. Nossa forma de viver, alias, revela que acreditamos que não há nenhuma festa preparada nos céus para nós.
Além de Manning, o apóstolo Paulo também nos intriga ao declarar que a criação possui uma “ardente expectativa” e que ela geme esperando a revelação dos filhos de Deus. Ou seja, a própria natureza, que se tornou cativa e prejudicada em função da queda de Adão, “espera” uma arrebatadora libertação na consumação dos séculos. Ora, se isso é verdade para a parte irracional da criação, porque nós, cristãos, os principais alvos do amor eterno de Deus, não possuímos tão intensa expectativa? Porque vivemos como se nossa existência se resumisse à paisagem que está adiante de nós e que nos distrai tanto que esquecemos que o melhor ainda está por vir?
“Não dá para comparar” - é o que diz o apóstolo Paulo. O que sinto e vejo neste mundo é infinitamente inferior ao que experimentarei ao lado do Criador, do Salvador e do Consolador. Por que nos esquecemos disso tão facilmente? Por que nossa alegria é de tão curta duração? Por que nossa esperança é tão instável? Por que ficamos tão irritados com a grama do jardim que está alta, com a conexão da internet que caiu, com as chaves que perdemos, (ou com coisas desse tipo) se há uma realidade indescritivelmente superior à qual estamos destinados e que, portanto, encontraremos? Até mesmo preocupações relevantes como as epidemias, o desemprego, a violência, a desigualdade e a fome não podem ofuscar “a glória que em nós há de ser revelada”.
Fiódor Dostoiévski, um dos maiores escritores de todos os tempos, compreendeu as palavras de Paulo ao constatar que deve (ou deveria) haver um lugar de compensações, pois nesta existência o homem não consegue viver à altura de seus mais nobres ideais - não praticamos todo bem que almejamos, não amamos intensamente, não somos tão bons quanto gostaríamos, vivemos aquém dos nossos ideais. A vida não faria sentido se tais aspirações não fossem saciadas em algum lugar. Este lugar, segundo Dostoiévski, é a eternidade. À sua maneira, o romancista compreendeu a teologia de Paulo.
Sim, há um lugar na eternidade onde o sofrimento não nos alcançará. Onde nenhuma lágrima será derramada. Onde as dúvidas não mais nos perturbarão. Onde toda incerteza será dissipada. E Dostoiévski chegou a essa conclusão após passar por um conflito pessoal. No dia do sepultamento de sua esposa, Masha, ele começou a pensar que, apesar dos momentos sofríveis do matrimônio, da incompatibilidade de comportamentos, do ódio que às vezes Masha sentia ao presenciar os ataques de epilepsia que ele sofria, das constantes brigas e do abandono do lar, houve momentos de felicidade verdadeira, porém ambos não conseguiram viver à altura do amor ideal. Dostoiévski considera, portanto, que um dia talvez ele veja sua esposa de novo em um lugar pleno de satisfação; e, por pensar assim e acreditar nisso, aconselha todos a seguirem o conselho de Paulo e atentarem, não para as coisas visíveis que são temporais, mas para as invisíveis que são eternas.
Por semelhantes razões, digo a vocês que devemos todos, qual promoters de raves, entregar os flyers para as Bodas do Cordeiro com contagiante alegria e ardente expectativa. A boa notícia, portanto, é que - ao contrario do que pensam os religiosos - Jesus nos chama não para jejuarmos e prantearmos; mas para comermos, bebermos e celebrarmos.
Conta o autor que sua mente foi invadida por pensamentos variados e que algo o intrigou. Embora aquela possivelmente fosse uma cena comum, Brennan ficou perplexo. Pois, ao constatar a expectativa daquelas pessoas, lembrou-se que os cristãos também estão numa fila esperando os portões celestiais se abrirem para participar da festa das “bodas do Cordeiro”; contudo, para nossa surpresa, muitos desses cristãos não estão felizes. Na verdade muitos estão na fila, porém duvidosos se realmente há um banquete à nossa espera. Muitos acham que o anfitrião não ficará contente em vê-los. E muitos se perguntam se serão bem-vindos. A idéia de um Deus ansioso por nos receber e uma festa maravilhosa para nos recepcionar parece boa demais para ser verdade. Nossa forma de viver, alias, revela que acreditamos que não há nenhuma festa preparada nos céus para nós.
Além de Manning, o apóstolo Paulo também nos intriga ao declarar que a criação possui uma “ardente expectativa” e que ela geme esperando a revelação dos filhos de Deus. Ou seja, a própria natureza, que se tornou cativa e prejudicada em função da queda de Adão, “espera” uma arrebatadora libertação na consumação dos séculos. Ora, se isso é verdade para a parte irracional da criação, porque nós, cristãos, os principais alvos do amor eterno de Deus, não possuímos tão intensa expectativa? Porque vivemos como se nossa existência se resumisse à paisagem que está adiante de nós e que nos distrai tanto que esquecemos que o melhor ainda está por vir?
“Não dá para comparar” - é o que diz o apóstolo Paulo. O que sinto e vejo neste mundo é infinitamente inferior ao que experimentarei ao lado do Criador, do Salvador e do Consolador. Por que nos esquecemos disso tão facilmente? Por que nossa alegria é de tão curta duração? Por que nossa esperança é tão instável? Por que ficamos tão irritados com a grama do jardim que está alta, com a conexão da internet que caiu, com as chaves que perdemos, (ou com coisas desse tipo) se há uma realidade indescritivelmente superior à qual estamos destinados e que, portanto, encontraremos? Até mesmo preocupações relevantes como as epidemias, o desemprego, a violência, a desigualdade e a fome não podem ofuscar “a glória que em nós há de ser revelada”.
Fiódor Dostoiévski, um dos maiores escritores de todos os tempos, compreendeu as palavras de Paulo ao constatar que deve (ou deveria) haver um lugar de compensações, pois nesta existência o homem não consegue viver à altura de seus mais nobres ideais - não praticamos todo bem que almejamos, não amamos intensamente, não somos tão bons quanto gostaríamos, vivemos aquém dos nossos ideais. A vida não faria sentido se tais aspirações não fossem saciadas em algum lugar. Este lugar, segundo Dostoiévski, é a eternidade. À sua maneira, o romancista compreendeu a teologia de Paulo.
Sim, há um lugar na eternidade onde o sofrimento não nos alcançará. Onde nenhuma lágrima será derramada. Onde as dúvidas não mais nos perturbarão. Onde toda incerteza será dissipada. E Dostoiévski chegou a essa conclusão após passar por um conflito pessoal. No dia do sepultamento de sua esposa, Masha, ele começou a pensar que, apesar dos momentos sofríveis do matrimônio, da incompatibilidade de comportamentos, do ódio que às vezes Masha sentia ao presenciar os ataques de epilepsia que ele sofria, das constantes brigas e do abandono do lar, houve momentos de felicidade verdadeira, porém ambos não conseguiram viver à altura do amor ideal. Dostoiévski considera, portanto, que um dia talvez ele veja sua esposa de novo em um lugar pleno de satisfação; e, por pensar assim e acreditar nisso, aconselha todos a seguirem o conselho de Paulo e atentarem, não para as coisas visíveis que são temporais, mas para as invisíveis que são eternas.
Por semelhantes razões, digo a vocês que devemos todos, qual promoters de raves, entregar os flyers para as Bodas do Cordeiro com contagiante alegria e ardente expectativa. A boa notícia, portanto, é que - ao contrario do que pensam os religiosos - Jesus nos chama não para jejuarmos e prantearmos; mas para comermos, bebermos e celebrarmos.
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domingo, 25 de outubro de 2009
sábado, 24 de outubro de 2009
A maravilhosa biblioteca de Jay Walker
Nada pode te preparar para o choque que é se deparar com a biblioteca de Jay Walker. Você sai da austera sala da casa de Jay em New England e passa por um corredor até chegar ao equivalente bibliográfico a um passeio na Disney. Recheada de lindos mapas e invejáveis objetos históricos nas paredes, nas prateleiras, nas mesas, no teto e até no chão, a biblioteca ocupa cerca de três mil e seiscentos metros quadrados em três andares labirínticos.
Aquele é um Sputnik? (Sim!) Ei, aqueles livros parecem estar encadernados em rubi. (Eles estão!) Essa edição de Chaucer é uma Kelmscott? (Pois é!) Poxa, aquele lustre parece o do filme James Bond - Die Another Day. (Porque ele é!) Não importa em que direção você olhe, algum tesouro acena para você — um manuscrito de G. K. Chesterton; uma Bíblia de Coverdale de 1535; o manual de instruções para o foguete Saturn V (que lançou a cápsula Apollo 11 para a lua); um guardanapo emoldurado de 1943 em que Franklin D. Roosevelt apresente seu plano para ganhar a Segunda Guerra Mundial. Bastam apenas alguns momentos para que você perceba, ao seu próprio modo, o que percebeu Borges: uma biblioteca tem muito em comum com o paraíso.
Aquele é um Sputnik? (Sim!) Ei, aqueles livros parecem estar encadernados em rubi. (Eles estão!) Essa edição de Chaucer é uma Kelmscott? (Pois é!) Poxa, aquele lustre parece o do filme James Bond - Die Another Day. (Porque ele é!) Não importa em que direção você olhe, algum tesouro acena para você — um manuscrito de G. K. Chesterton; uma Bíblia de Coverdale de 1535; o manual de instruções para o foguete Saturn V (que lançou a cápsula Apollo 11 para a lua); um guardanapo emoldurado de 1943 em que Franklin D. Roosevelt apresente seu plano para ganhar a Segunda Guerra Mundial. Bastam apenas alguns momentos para que você perceba, ao seu próprio modo, o que percebeu Borges: uma biblioteca tem muito em comum com o paraíso.
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sexta-feira, 23 de outubro de 2009
A life worth living
O homem é mortal,
Pode muito bem ser verdade,
Porém morramos resistindo.
Se é o nada que nos aguarda,
Vivamos de modo que esse seja um destino injusto.
Pode muito bem ser verdade,
Porém morramos resistindo.
Se é o nada que nos aguarda,
Vivamos de modo que esse seja um destino injusto.
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quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Empatia
Sou um caso extremo de empatia masoquista. Sou como uma vítima do holocausto que gosta de nazistas ou como um fazendeiro que gosta do MST.
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